Júbilo?
Sim
E se um de nós estiver errado?
Que destino haverá
num poema a latejar
que lembrança
luzirá
no teu olhar?
10 de fevereiro de 2010
7 de fevereiro de 2010
Edificação (II)
no correio
que te leva o sabor
das minhas palavras
transcritas da boca para o papel
Ignora o tom agreste
Recompõe-te
imagina-me apenas sentado
não agressivo
a escrever enquanto penso
num recanto inacessível do teu corpo
num sussurro
apagado
do teu coração
Imagina
uma janela
debruçada sobre o mar
liso, brilhante
de um azul monótono
igual a tantas histórias
que te leva o sabor
das minhas palavras
transcritas da boca para o papel
Ignora o tom agreste
Recompõe-te
imagina-me apenas sentado
não agressivo
a escrever enquanto penso
num recanto inacessível do teu corpo
num sussurro
apagado
do teu coração
Imagina
uma janela
debruçada sobre o mar
liso, brilhante
de um azul monótono
igual a tantas histórias
e pinturas tão simples
Imagina o meu coração
a descoberto
aberto
no ponto em que secou
em que as palavras secaram
o gesto murchou
e os lábios cerraram
Recorda o rumor do vento
e nele a minha alma
a minha alma
até ao infinito
à nocturna nudez
das malditas palavras
não-ditas
.
Imagina o meu coração
a descoberto
aberto
no ponto em que secou
em que as palavras secaram
o gesto murchou
e os lábios cerraram
Recorda o rumor do vento
e nele a minha alma
a minha alma
até ao infinito
à nocturna nudez
das malditas palavras
não-ditas
.
.
Imagem: Vertical Limit, por Carlo Borlenghi, para Alinghi
5 de fevereiro de 2010
Edificação
Talvez pudesse escrever
em verso e não em prosa
sem recorrer à Razão
a história daquele Homem
e daquela Mulher
Da sua indecifrável ferida
do ocaso do amor
das sombras de Rimbaud
do coração
da doçura perdidas
do desespero
sem solução
Do abismo
dos corpos
sem cor
Sem nenhuma cor
Em agitação.
[A Maria, a Sebastião]
em verso e não em prosa
sem recorrer à Razão
a história daquele Homem
e daquela Mulher
Da sua indecifrável ferida
do ocaso do amor
das sombras de Rimbaud
do coração
da doçura perdidas
do desespero
sem solução
Do abismo
dos corpos
sem cor
Sem nenhuma cor
Em agitação.
Mas hoje
hoje não há segredos a desvendar.
[A Maria, a Sebastião]
4 de fevereiro de 2010
2 de fevereiro de 2010
Overdose nómada
hoje pintar-te-ia os lábios
da cor da luz
ou do mel
ou antes do lume
que arde na tua ausência
hoje pintar-te-ia o rosto
com a luminosidade do amanhecer
com o gesto leve da asa
de uma ave que se eleva
do ramo da oliveira
hoje repintaria as violetas
que me prendem à terra
e o meu canto nómada calar-se-ia
como o silêncio de um pássaro
no fim da migração
hoje o albatroz
dobraria
definitivamente as suas asas
e interromperia a sua navegação
contemplando o teu rosto delicado
de menina
da cor da luz
ou do mel
ou antes do lume
que arde na tua ausência
hoje pintar-te-ia o rosto
com a luminosidade do amanhecer
com o gesto leve da asa
de uma ave que se eleva
do ramo da oliveira
hoje repintaria as violetas
que me prendem à terra
e o meu canto nómada calar-se-ia
como o silêncio de um pássaro
no fim da migração
hoje o albatroz
dobraria
definitivamente as suas asas
e interromperia a sua navegação
contemplando o teu rosto delicado
de menina
1 de fevereiro de 2010
Poema Al Berto
Tricotar reticências
como quem acende uma fogueira
longe... do mundo
antes da chegada dos sonhos
quando se olha o mar sem se pensar
tricotar reticências...
dormindo
num movimento desordenado
exausto
de corpos desorientados
e mãos estendidas
Um rebanho de gente fascinada
por um místico
monólogo
estou
Al
alucinado
[Al]
pendurado
Acordo em
A[l]-
berto
sobres-
salto
na madrugada
lírios extemporâneos
como quem acende uma fogueira
longe... do mundo
antes da chegada dos sonhos
quando se olha o mar sem se pensar
tricotar reticências...
dormindo
num movimento desordenado
exausto
de corpos desorientados
e mãos estendidas
Um rebanho de gente fascinada
por um místico
monólogo
estou
Al
alucinado
[Al]
pendurado
Acordo em
A[l]-
berto
sobres-
salto
na madrugada
lírios extemporâneos
26 de janeiro de 2010
A padeirinha de Estrasburgo
Edite Estrela foi muito criticada por discursar em castelhano (vá lá, haja boa vontade para aceitar que é castelhano). Mas pessoalmente sou da opinião que não há melhor forma de defender a língua portuguesa que a assassinar a espanhola a golpes de catanada. Consta que Zapatero não prescindiu da tradução simultânea.
21 de janeiro de 2010
... e Mark Rothko
porque é noite
e os pássaros recolheram já a casa
esqueçamos o tempo
a eternidade
(nenhuma eternidade aliás)
silêncio
é Janeiro
escondamos os corações
(ponto parágrafo)
desvie-se o olhar
dos lírios murchos em cima da mesa
e o vapor de água
depositado numa superfície vítrea
em fúmeas deambulações
(ponto parágrafo)
silêncio
ouçamos, simplesmente
o trabalho das estações
(ponto final)
19 de janeiro de 2010
28 de dezembro de 2009
"Arbeit macht frei"
Mea culpa, tenho andado a escrever pouco. Deve ser da qualidade da lenha que ando a utilizar, incita-me mais à contemplação que ao trabalho. Mas há acasos na vida. Eis, pois, um desses acasos: a propósito do furto da placa da entrada de Auschwitz (donde o título deste post), há dias, descobri que o compositor francês Olivier Messiaen foi preso pelas tropas alemãs mais ou menos ao tempo do início da invasão polaca. Não esteve inicialmente em Auschwitz, mas numa prisão vizinha, igualmente no Sul da Polónia.
O. Messiaen, Quatuor pour la fin du temps
Nessa condiçã,o compôs Quatuor pour la fin du temps. Entre os seus companheiros de cela figuravan um clarinetista, um violinista e um violoncelista. Messiaen padecia de subnutrição e tinha frequentemente visões acerca do princípio da eternidade. A peça foi pela primeira vez exibida em 1941 perante cinco mil prisioneiros do campo. Acerca do segundo movimento, Messiaen escreveu: "The first and third parts (very short) evoke the power of this mighty angel, a rainbow upon his head and clothed with a cloud, who sets one foot on the sea and one foot on the earth. In the middle section are the impalpable harmonies of heaven. In the piano, sweet cascades of blue-orange chords, enclosing in their distant chimes the almost plainchant song of the violin and violoncello".
É uma peça incontornável na música contemporânea, sobretudo na associação de instrumentos que coloca em cena (o que faz um piano nesta peça? O que fazia um piano em Auschwitz?). Mas é muito mais que isso. Marca o fim da linha para Messiaen, como para tanta gente, entre a qual, o compositor checo Pavel Haas, cuja obra acabo de começar a descobrir.
27 de dezembro de 2009
25 de dezembro de 2009
18 de dezembro de 2009
16 de dezembro de 2009
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