Tenho uma pena com linguagem própria
um frenesim de sonho único
um silêncio telúrico
de ossos abandonados
e andaimes de néons enferrujados.
Quando lhe pego
Fecho a persiana
como as páginas de um livro ao adormecer
sem tentar perceber
se a tinta que dela sai é amar ou uma vasta insónia
ou isto.
Que nos apartou do mundo há séculos.
Hoje
está nortada. É verão,
na véspera de um eclipse solar,
no qual só eu repararei na Lua cheia
ou distrair-me-ei com os barcos
em sobressalto. Ao crepúsculo
sinto o mar próximo
e o cheiro que me eleva o fulgor dos sentidos
despertos pelos versos que o vento escreveu nas dunas.
Soluço
nesse instante sísmico do mundo.