A cidade nasceu e talvez por isso todos riem
esquecem o esquecimento, as brumas
que cobrem a terra e escondem o céu
enquanto o tempo se renova sem escarcéu.
Respiro-me no ar, emancipo-me na luz
Fecho os olhos, eternizo-me na luz do atardecer
Fixo o olhar na etiqueta do disco que roda
enquanto me perco dentro de mim próprio
com saudades de sonhar
o tempo em que amei e aos outros foge
enquanto sobre mim cai, desde ontem,
soprado pela brisa do Levante.
C'est pas moi, apenas espuma
que me arrepia de pavor da bruma
a luz que decai no sortilégio do voltear crepuscular
da manhã que entretanto anoiteceu.
Amanhã a cidade renasce e por isso todos riem
enquanto nela me ilumino, participo e dissipo.
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