SUL
Pende para Sul um peito inundado de vento
6 de fevereiro de 2026
Dias longos
Dias longos
de momentos que percorro
e perco na vertigem de cada instante
Dias longos
longe de mim próprio
na amálgama do tempo distante
O silêncio do eco constante da partida
o mar que pressinto por detrás de cada poema
o silêncio sinónimo da vida.
3 de fevereiro de 2026
À Jacinta (companheira dos meus dias)
És a mais silenciosa
A mais furtiva, a mais aventureira
Fazes o dia entrar na noite
Partes ao luar
Chegas ao amanhecer
andar de pantera
olhar indecifrável
que em vão procuro entender.
Não me falhas
procuro-te. encontro-te. apareces
O teu dorso condescende-me uma carícia
com a mão que afofo o mais que posso.
Procuro repelir o teu isolamento
Conquistar-te
mas sei-te impossível
A tua existência
é um verso que quero que perdure.
14 de janeiro de 2026
Hipérbole vã
fria, rude, gasta pelo vento
que o silêncio amadurece e medra
cravada no meu pensamento.
Hipérbole vã, cansaço mudo
expressão de ausência profunda
onde o peso de um seixo é tudo
e tudo de mar se inunda.
A voz transborda o que o peito contém
O deserto que a alma tem
O resto é um sempre que nunca vem.
30 de julho de 2025
Infusão
No espaço entre dois nomes
cabe o mundo
o mundo e um poema
o mundo, um poema e a morte
A linha da vida
um substantivo entre dois polos
um remoinho
O caos
um sopro de sal grosso
uma assimetria
uma arritimia
Cabe um canto de Sul
O canto pequeno
das pequenas coisas
Um sonho que se esvai
e desvai na desordem do cais
uma curta canção
uma carta vazia
um poema
um repoema
um começo
um recomeço
O aconchego de ecos gramaticais.
Um suspiro
talvez dois.
Tarde
Há apenas silêncio
umas horas de silêncio
à exceção da estridulência das gaivotas
Não há pão
não há vinho
só um leito para dormir sozinho
O odor de cigarros apagados
Encontros, desencontros
Contos passados
cada um à sua vida
Já se faz tarde.
25 de junho de 2025
Azul
Céu azul, céu de cinza,
3 de março de 2025
Fajã Poente
Chão vivo
Sopro de vento
o Mar
vira-me o rosto
extensões sombrias de luz
vulcões desassombrados
Nietzsche vocifera
retorno
ativo
16 de fevereiro de 2025
Silêncio
não digo a ninguém
Não falo
de cristais de diamante
Noite fora, fria e nua
Levanta-se a lua
desfio enredos planetários
grito ao vento da rua
Desperto
dedos em laço
um organismo de sonho
estremeço. Floresço
10 de junho de 2024
23 de novembro de 2023
Let me...
Let me show you how to fly
hold you gently by the hand
kiss your tears goodbye.
Let me show you the light
lead you out of needless rain,
see you smile again.
Let me sing you all the songs I wrote
til you sleep in my arms
and awake with the sunlight in your face.
Let me bring you up the mountain
see you touch the skies
smile while I look into your eyes.
Let me help you sail
like a butterfly
gifted with pretty wings.
Let me do all these to let you see
You're the precious gem
the earth and the sky
So fly with me,
and then stretch your wings
I'll be here.
[From a father to a daughter]
11 de abril de 2023
26 de janeiro de 2023
A tale to tell
Of memories locked in a spell,
Of moments that slip through our grasp,
Like sand through an hourglass.
The past, a labyrinth of old,
Where echoes of youth still hold,
And the future, a mystery yet to unfold,
As we journey down the roads of gold.
Age creeps in, with each passing year,
Etching wrinkles, and bringing fear,
But time, it goes on, without a care,
As we age, and our hair turns grey and spare.
23 de janeiro de 2023
Mar de alma
O mar da minha alma é um labirinto de ondas que se entrelaçam e se desfazem, de crepúsculos que se desvanecem e renascem.
A embarcação da minha mente balança sobre águas inquietas
à procura de margem que nunca alcança.
A verdade e a ilusão confundem-se no jogo de luzes e sombras que o luar cria sobre o mar.
E eu, o navegador solitário, pergunto-me se o que vejo é real
ou uma ilusão do mar da minha alma
16 de janeiro de 2023
Sílabas cabais
Chuva minuciosa
Cai. caiu
Presente. passado
Flor viçosa
Cor de rosa
Encarnado debotado
Violeta fogosa
Cores ao acaso
13 de janeiro de 2023
Livros
Os meus livros são os meus olhos
o meu rosto no espelho
as minhas têmporas a latejar
são Eu
As palavras que não escrevi
suspensas no tempo
embrulhadas em folhas
Vozes caladas
Antes assim
Ecos
mudos para sempre
18 de dezembro de 2022
16 de dezembro de 2022
19 de dezembro de 2021
Revisitar Cesário e o Tejo
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer

