A rosa mais ténue
a que tem mais peso e fragrância
que se veste de negro de noite
e ressurge platónica pela manhã
a rosa da arte da alquimia
de Cartola, dos persas, da imortalidade do verão
A rosa mais ténue
a rosa das rosas, a que canto e não canto
na Alba
e que resplandece a todas as horas do dia
Definitiva.
28 de julho de 2026
Rosa
Lēthē
A uma hora incerta vi
a Lua cheia no firmamento
relevo de vales e montanhas
estrelas em redor de Vénus
Júpiter e Marte
Vi um mar de estrelas a dividir-se ao meio
para deixar passar Moisés
Vi
mundos que não vira
até o nascer do Sol me cegar e baralhar olhos,
mãos, rostos, mãos, a face oculta da Lua
onde existe o rosto de qualquer um
Sonhos
onde caberia o Quinto Império
se eu fosse um contador de histórias
em vez de um contador de Livros
e tivesse a memória de uma espada
e não um ser que se entrelaça
e fecha no aposento de uma casa
Sou o que sabe não ser
um esquecimento, um eco de nada
do Tempo de tudo, de todos.
27 de julho de 2026
Syntagma
Deito-me no chão, na terra, respiro.
Sopro. O sopro ricocheteia na terra
de um país devorado pelo Sol
consumido num horto de incêndios.
Ao meio-dia corre um vento que seca
fissura a pele e apaga a memória
Estou cansado. Por entre o fumo
uma nesga de céu abafa o silêncio crepitante das chamas.
O mar lá longe, fechado na concha de um búzio
A imitar o eco de um peito submerso.