Kairos
Em passo lento observo
os Pais Nossos desta terra
debruçados à janela
aspirando o ar
de poemas a latejar
tateando a fugidia alegria
da claridade do dia
a obstinada existência da vida.
Fixo naqueles que estão no céu,
o olhar do sol que se põe
como uma chama que se extingue
sobre a água do estuário
enquanto deambulo incréu
de sílaba em sílaba
de cinza em cinza
pelo envelhecer dos séculos
E assim ergo
o templo de um tempo trémulo,
ambíguo, ausente
que não é o meu.
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