29 de abril de 2016
27 de abril de 2016
Poema branco (mas visível)
Sou
como as ondas
salgado
a espuma
a espera
um caminho
Imperceptível
um rumo
a vida
Tout court
17 de abril de 2016
Loving Vincent
(trailer oficial do filme)
This is the first fully painted feature film in the world, directed by Polish painter and director Dorota Kobiela and Hugh Welchman (Oscar winner for producing "Peter and the Wolf"). The film is produced by Oscar-winning Studios Breakthru Films and Trademark Films.
11 de abril de 2016
Beethoven meets Chopin (in the 5th Symphony)
Beethoven's 5th Symphony in the style of Chopin || Syd R Duke
5 de abril de 2016
Life is
Um dos bons sentidos da vida
É descobrir que não raras vezes
Estamos enganados
Vincent van Gogh, Lírios, maio de 1889
7 de março de 2016
Starry night
Silent starry night
endless hour
wordless time
Silent starry night
No books, no music
reality erased
Only sleep, night
Oh! and dedicated stars
24 de fevereiro de 2016
16 de fevereiro de 2016
12 de fevereiro de 2016
Ao vento [poema de retalhos]
ao vento
um coração ecoa
palavras sussurradas de um poema triste
ao vento
a lua brilha ao recolher de um dia
a lua brilha ao recolher de um dia
no silêncio da noite
giram sonhos
sorrisos refletidos nas estrelas
ao vento
embalam-se cumplicidades entre
embalam-se cumplicidades entre
o luar prateado e os sentidos
baloiçam em surdina
versos por acabar no firmamento
ao vento
mil palavras por dizer
instantes irrepetíveis.
ao vento
os dias sucedem-se
como as estações na cerejeira
ao vento
os dias sucedem-se
como as estações na cerejeira
ao vento
o silêncio
só um fim e nunca um começo
só um fim e nunca um começo
ao vento
como numa prece,
como numa prece,
despertamos com a percepção
que o sismo que para sempre
nos desmoronaria o coração
nos enche o peito de vida
em torrente de emoção
11 de fevereiro de 2016
Amo-te!
Ou o princípio metafísico segundo o qual
Uma verdade tantas vezes dita
Se transforma no seu contrário.
2 de fevereiro de 2016
Friedrichstraße
[...] às primeiras horas da madrugada aproximou-se da cancela que delimitava ao acesso à linha do caminho-de-ferro. Ajeitou, como conseguiu, a gola do casaco enquanto aguardava a passagem da composição proveniente de Potsdam. Distinguiu os faróis da locomotiva primeiro varando penosamente a escuridão e a densidade cortante do ar frio que a temperatura de Fevereiro impunha, antes de perceber a silhueta dos vagões que a seguiam. Sentiu no corpo o ronco do motor, que se confundiu com o tremor que o percorreu, fruto do frio e do pânico que se esforçava por a custo domar dentro de si. Aproximou-se à passagem da composição. A linha arcaica e em mau estado obrigava a um vagaroso progresso e por vezes mesmo a uma paragem antes da entrada na gare de Friedrichstraße. Os flocos de neve que caíam, a humidade e o frio tornavam penoso o progresso e o próprio ato de respirar. Ardiam-lhe os pulmões e os olhos. Apertou as mãos dentro dos bolsos, enterrou a testa o mais que lhe foi possível no chapéu de feltro surrado pelo tempo e lançou-se evitando pensar que poderiam ser os últimos passos que dava na vida.
Evitou olhar na direção da gare, mas adivinhava o movimento dos guardas à aproximação da composição. Adivinhou o engatilhar das armas, julgou distinguir o ladrar dos cães, excitados pelo movimento do comboio e o quebrar da rotina da noite. Aspirou levemente uma golfada de ar frio e avançou à passagem da composição, procurando adaptar a vista ao bréu e aos chuviscos de neve. Alcançou instantes depois o último vagão imobilizado e distinguiu os guardas, uns que caminhavam em sentido contrário, outros verificando um a um os vagões agora detidos, mas não olhando na sua direção. O tempo deteve-se. A sua respiração deteve-se. O seu coração parou de bater enquanto julgou ver a eternidade quando o seu olhar inevitavelmente se cruzou com o de um dos guardas. O cão que o guarda trazia pela trela ladrou. Furiosamente. Por sorte, na direção da composição. Vários guardas acorreram ao local. As lanternas apontaram para a parte inferior de um dos vagões e ouviu-se o ruído de armas a serem aprontadas. Ainda sem respirar, Eric Sevlak continuou no seu passo, esperando pela ordem que impediria o seu progresso. Ouviu-a, mas sem se deter encolheu os ombros aguardando pelo momento em que sentiria os seus ossos a serem despedaçados por balas antes de cair à vista da fronteira para berlim Ocidental.
Nada. O tempo arrastou-se. E nada.
O guarda esqueceu-se por instante do rosto do homem que cruzara olhar consigo, antes de a sua atenção ser atraída pelo cão para debaixo de um dos vagões provenientes de Potsdam. Estava enregelado e com saudades de rever os seus familiares, que deixara numa aldeia nos arredores de Dresden havia mais de três anos de serviço ininterrupto. E agora desejava que de debaixo do vagão não saísse uma pobre alma a tentar passar para o ocidente a coberto da noite. Eram aos milhares os clandestinos e não raras os seus superiores vezes ordenavam que os fuzilassem sumariamente para poupar o incómodo de um interrogatório longo e moroso, alegando que haviam tentado fugir.
Um disparo. Outro. O ruído das vozes humanas, do latir dos cães e do disparo das armas fundiu-se com a escuridão da noite e um após outro os passos de Sevlak aproximaram-no da fronteira que aos poucos se tornou visível. O guarda federal pareceu surpreendido quando viu a sua silhueta e não teve de lhe pedir que se detivesse antes de atravessar a linha branca. Sevlak desfaleceu quando o seu pé direito transpôs pela primeira vez a fronteira ocidental, ou seja, no preciso instante em que, muito embora disso não se tenha apercebido, se tornou um homem sem passado e sem futuro.
29 de janeiro de 2016
Mundo de pernas para o ar
Um exercício aparentemente simples:
Uma folha em branco
Tão imensamente
vazia
Tão assustadoramente
vazia
Tão repentinamente
vazia
Diante da qual hesito
Mas não resisto
a ocupar
assim
com esboços
palavras
compassos
versos sem fim
Todo
o infinitamente branco
Onde não cabe
Nenhum vácuo
Nenhum silêncio
Nenhum vazio
Enfim
Todo
o mundo de pernas para o ar
21 de janeiro de 2016
13 de janeiro de 2016
10 de janeiro de 2016
Otherwordly Blue
Look up here, I’m in Heaven,
Oh, I’ll be free just like that bluebird
Oh, I’ll be free
Ain’t that just like me
Oh, I’ll be free
Ain’t that just like me
(Bowie, Lazarus)
9 de janeiro de 2016
2 de janeiro de 2016
Terra
às vezes recordo-me
do teu corpo ser um aquário
e os teus olhos safiras
através dos quais via a verdade do mundo
às vezes ocorre-me
todavia, que a verdade do mundo
é um par de calças
de algibeiras vazias
ou simplesmente um jardim, o sol,
a areia, uma mão cheia de sonhos
o firmamento de onde se sopra
o pó das estrelas
Água
Oh! Dream of joy! Is this indeed
The light-house top I see?
Is this the hill? Is this the kirk?
Is this mine own countree?
We drifted o'er the harbour-bar,
And I with sobs did pray—
O let me be awake, my God!
Or let me sleep alway.
.
(the rime of the ancient mariner)
1 de janeiro de 2016
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